10 ideias de craft usando papelão e rolo de papel higiênico para fazer com as crianças

bichinhos de rolo de papel para crianças

Eu adoro trabalho manual. Minha infância ficou marcada, entre outras memórias, pelas tardes inteiras que eu passava criando arte – tem até uma piada na família, do dia em que eu estraguei uma fita da banda Kraftwerk pra fazer decoração de carnaval. 😀

Piadas e prejuízos à parte, esse tipo de atividade é excelente para o desenvolvimento das crianças e nesses dias de isolamento social por conta da pandemia de Covid-19, fazer trabalhos manuais tem ajudado a aliviar o estresse e a angústia, uma vez que criar, cortar, colar, ocupa o tempo de tal forma que esquecemos de tudo, do mundo e de suas notícias.

Manter a concentração na construção de algo é estimulante, divertido e inspirador. Também é terapêutico e é como uma meditação, uma pausa, um tempo lento que nos leva a olhar para dentro…

Além disso, é um passatempo analógico, reduz o tempo na frente das telas, que se torna tão maior quando estamos confinados em casa, e diminui a ansiedade que provém desse excesso. É bom para adultos e crianças.

Reuni 10 dos melhores crafts que fizemos em casa durante essa quarentena, para inspirar quem quiser começar a fazer também:

Turminha do jardim

animais de rolo de papel higiênico

Usando rolo de papel higiênico e a imaginação, dá para fazer absolutamente qualquer bichinho que você quiser. E dá para fazer o mesmo bicho de formas diferentes, o que muda é a dificuldade da técnica e o quão incrementado ele vai ser.

A gente fez essa “turminha” (como diz a Aimée) usando técnicas muito fáceis, materiais bem acessíveis e eles ficaram lindos:

abelhinha de rolo de papel higiênico

Abelhinha fofa

Essa abelhinha foi feita usando apenas:

1) um rolo de papel higiênico;

2) alguns recortes de papel Canson colorido (amarelo e preto);

3) um pedaço de papel branco reaproveitado de embalagem (mais resistente);

4) papel kraft, para fazer o rostinho;

5) canetinha preta;

6) tesoura e cola.

Não tem segredo nenhum, a não ser cortar os papeis nos tamanhos adequados, à mão livre mesmo, já que são formas super fáceis de serem recortadas, colar e brincar!

coelhinho de rolo de papel higiênico

Coelhinho minimalista

Outro bichinho super fácil de fazer é esse coelho.

Aqui usamos:

1) rolo de papel higiênico;

2) folhas de papel reciclado num tom de azul bem leve, mas também dá pra usar tinta guache pra pintar;

3) sobras de papel Canson preto para fazer os bigodes;

4) olhinhos autocolantes vendidos (numa cartela com vários) em qualquer papelaria, mas também dá pra fazer os olhos usando papel branco e preto;

5) pompom cor de rosa;

6) tesoura e cola.

borboleta de rolo de papel higiênico

Borboleta fashionista

Outra ideia facílima é a borboleta. Nós usamos:

1) rolo de papel higiênico;

2) papel colorido (rosa e amarelo) de um caderno velho que eu tinha em casa;

3) E.V.A. glitter, reaproveitado de uma tiara de carnaval, para fazer as asas e as antenas;

4) olhinhos autocolantes;

5) pompom cor de rosa para o nariz;

6) tesoura e cola e

… voilà!

Para colar as asas, sugerimos fazer cortes nas laterais do rolo e então encaixá-las e fixá-las com cola de isopor.

Uma família engraçada e estranha

boneco de rolo de papel higiênico

Esses bonecos foram inspirados em uma das atividades do livro 1000 ideias para criar e se divertir, da editora Usborne.

Mas enquanto lá o corpo é feito de dobradura de cartolina, aqui usamos um material abundante e acessível: o rolo de papel higiênico! hahaha

boneco de rolo de papel higiênico

O que dá essa característica engraçada e estranha nessa família é o formato dos narizes e das orelhas.

Para fazê-los, basta pegar um recorte de papel e dobrar três vezes para dentro. Ele vai formar um triângulo, como se fosse uma barraca. Corte o excesso, deixando no tamanho adequado, e está pronto.

Tal como nos bichinhos, nós usamos rolo de papel higiênico, recortes de papel Canson colorido (amarelo, azul, marrom e preto), olhos autocolantes e o E.V.A glitter reaproveitado da tiara de carnaval, com o qual fizemos os acessórios das bonecas.

Para fazer os cabelos, é preciso deitar o rolo num pedaço de papel e então contornar com a forma desejada. Depois recortar e colar no rolo.

Para os lábios de batom, usamos cola colorida.

Eu achei que essa família ficou bem anos 80! 😀

Tá tudo meio amassadinho e manchado de tinta porque aqui é craft com criança real, não é só cenário pra foto! Hahaha

bonecos de rolo de papel higiênico

Senhor Ratinho

Esse foi o primeiro bichinho de rolo de papel higiênico que fizemos na quarentena e foi o que a Aimée trabalhou mais livremente, pintando do jeito dela.

Aqui foram usados somente rolos de papel para montar a estrutura: um para fazer o corpo e o outro para recortar as partes do ratinho: orelhas, pés, braços, nariz e rabo.

Foi tudo feito à mão livre, sem molde, portanto não tem mistério nenhum para fazer, é só seguir as formas, sem se preocupar com perfeição.

Para colar as orelhas, o nariz e o braço, o ideal é usar uma cola bem forte, porque a cola comum não segura bem esse tipo de papel. Aqui usamos cola de isopor.

Os pés e o rabo do ratinho são encaixados com cortes feitos no rolo de papel e depois colados por dentro para fixar melhor e não correr o risco de cair.

Fora isso, só tinta para pintar e os olhinhos autocolantes – que devem ser colados de um lado só, senão fica esquisito, uma vez que o nariz do ratinho é muito grande.

Um macaquinho simpático

Esse macaquinho sorridente, com rabo para cima e acenando é um dos mais fofinhos que a gente fez.

Nós usamos:

1) Papel Canson colorido (marrom, amarelo, preto)

2) recorte de embalagem branca (para os olhos)

3) papelão para fazer o corpo

4) rolo de papel higiênico para fazer o suporte do macaquinho

5) tesoura, cola e canetinha.

Faça os moldes dos braços, rabo e orelhas, recorte e cole por trás do papelão.

Depois faça os olhos, boca e barriga e cole na frente.

Por último, cole o rolo de papel por trás do macaco, assim ele fica em pé e facilita na hora da criança brincar.

macaquinho de papelão

Família de Gatinhos

gato de papelão

De todos os crafts, a família de gatinhos é a minha preferida.

Eles ficam tão lindos que parece que foram feitos para existir no papelão!

Para criar os filhotes, desenhe em um papelão o formato dos gatinhos, tal como na imagem acima. Depois faça um corte, da largura de um dedo e bem no meio do corpo, dobrando em seguida essa parte cortada para trás. Com isso, cria-se o formato das pernas e um suporte para manter os gatos em pé. O barbante enrolado no corpo deles dá um charme.

Por último, seguindo os passos abaixo, dá para fazer o gato maior e de quebra, um porta-lápis de gatinho!

Porta-lápis de gatinho

Para fazer o porta-lápis de gatinho:

1) recorte moldes como os da imagem abaixo:

pap gatinho de papelão

2) cole a cabeça na frente do corpo e as orelhas e o rabo na parte de trás da cabeça e do corpo, respectivamente;

3) use recortes de papel preto, branco e rosa para fazer os bigodes, o nariz e os olhos;

4) cole as pernas deixando pouco menos de um dedo para fora do corpo e dobre essa parte para cima com o auxílio de um palito de picolé (isso vai servir para colar a base);

5) cole o rolo de papel higiênico nas costas do gato;

6) passe cola nos pés do gato, para então poder colar a base. Não esqueça de pressionar os pés na base por um minutinho, para fixar bem.

Pronto. Depois é só esperar secar e colocar os lápis dentro do rolo.

Se você curtiu, deixe um comentário, esclareça uma dúvida ou faça uma sugestão! Novos crafts ainda vêm por aí…

Drops de abril: o fundo do poço

colagem ilustração cinema

Às vezes, quando faço meus drops (esse espaço dedicado a falar sobre o entretenimento que consumi no mês), acontece de eu perceber que segui, inconscientemente, uma linha temática.

Em janeiro desse ano, tudo esteve relacionado ao universo familiar. Já abril me surpreendeu pelo conteúdo todo girar em torno mundo do crime, das prisões e, mais louco ainda, das histórias de bandidos baseadas em fatos reais.

Por que isso acontece? Será que a astrologia e o mapa do céu explicam? Será que o nosso inconsciente busca pelas mesmas coisas de maneira tão insistente? Não sei, mas segue meu relatório:

Livro: Um homem bom é difícil de encontrar e outras histórias [Flannery O’Connor]

Li num pulo essa maravilhosa obra da escritora norte-americana Flannery O’Connor. Trata-se de um livro de contos do gênero gótico do sul dos EUA, escrito em meados do século XX. Nele, as histórias sempre terminam tragicamente, e as personagens revelam seu lado mais hipócrita, mesquinho e sombrio.

A maioria dos contos toca na questão de classes e no problema do racismo e sempre envolve aspectos religiosos, sobretudo a oposição entre o fervor religioso e o afastamento desse universo.

A autora, de fato, formou-se em Ciências Sociais, mas o que me deixou mais chocada foi descobrir que ela própria afirmou não tratar de questões sociais na obra, e sim de redenção religiosa. Flannery O’Connor era muito católica e fez suas personagens encontrarem a redenção pela tragédia.

Série: La casa de papel – 4ª temporada [Netflix]

Quando assisti a 1ª temporada de La casa de papel, lembro de ter achado graça. Achei meio piegas, meio humorística demais, meio novelesca. E ela é assim mesmo. Acontece que, se você assiste até final, alguma coisa te pega e você não consegue deixar de assistir.

Eu acho que isso acontece porque as personagens são muito carismáticas e acaba que a narrativa não se reduz apenas a uma perseguição policial, embora tenha todos os elementos de ação que a gente gosta de ver. E, embora ela tenha uma narrativa acessível e mais comercial, isso não a torna necessariamente superficial. E mais do que isso, não a torna óbvia, porque de fato a gente espera para ver o que vai acontecer e se surpreende.

Filmes:

O poço [Galder Gaztelu-Urrutia]

Todos estavam falando sobre esse filme e lá fomos nós assistir. O poço é uma prisão vertical, com centenas de andares e apenas dois presos por andar. Até aí, nada de mais. Acontece que a comida é servida de cima e quanto mas embaixo você está, menos (ou nada) você come.

A alusão mais óbvia é à desigualdade social, em que os mais ricos comem ostensivamente e para os mais pobres sobram pratos vazios e a violência, que da busca pela sobrevivência.

Mas óbvio que o filme quer mais do que isso (pelo menos eu acho): conseguiremos superar essa desigualdade? Como? Há possibilidade do ser humano realmente ser solidário em uma situação calamitosa, de desigualdade, de conflito, de luta pela sobrevivência? Quem tá em cima vai querer perder seus privilégios? Se há possibilidade de tentar superar essa desigualdade, isso vai se dar pela força ou pela educação? Pelo filme, a conclusão é de que pelo diálogo educado não se chega muito longe, mas a violência tampouco leva a algum lugar. Essa ideia, essa discussão, é ótima, genial. O problema é a forma.

O filme explora excessivamente a crueldade, a crueza de revirar o estômago, e muito pouco as reflexões que provavelmente foram colocadas. Se a questão é sobre a solidariedade, se se deve fazer um diálogo com as pessoas, se elas podem ser convencidas pela palavra ou se o convencimento continuará sendo pela violência, isso foi explorado de maneira tão superficial que fica em aberto demais. No final, sobra apelação trágica, um elemento de redenção religiosa (?) quase aleatório, apesar das alusões ao céu e ao inferno, e fica faltando o que deveria ser mais interessante do filme: a superação do conflito.

Prenda-me se for capaz [Steven Spielberg]

O filme é 2002 e o título faz parecer que é um daqueles de perseguição policial, com muita bomba, tiro e explosão. Mas não. Trata-se da história real do ex-vigarista/fraudador Frank Abagnale Jr., que com apenas 18 anos conseguiu se tornar o maior ladrão de banco dos EUA. Hoje, ele atua como consultor de segurança e trabalha para o FBI. A história é realmente interessante e quem faz o papel do protagonista é Leonardo DiCaprio, excelentíssimo na atuação – inclusive, fico cada vez mais fã dele.

Do inferno [Albert Hughes e Allen Hughes]

Baseado nos quadrinhos de Alan Moore (mesmo autor de V de Vingança), conta a história do serial killer que atormentou Londres no final do século XIX: Jack, o estripador. A obra é uma releitura envolvendo alguns fatos sobre a atuação do assassino e elementos ficcionais, como a família real inglesa e a maçonaria. O protagonista é o inspetor do caso, papel interpretado por Johnny Depp. O filme é de 2001 e o clima Londres histórica suja e sombria, que me lembra vários filmes dos anos 2000, é bem legal.

O anjo [Luis Ortega]

Outro assassino em série, Carlitos, como era chamado, foi o maior serial killer da história da Argentina. Ganhou o apelido de Anjo porque tinha apenas 20 anos quando foi preso, e ostentava uma aparência feminina e angelical. Tinha origem familiar estável, sem qualquer situação de conflito ou precariedade que pudesse justificar a tendência violenta, o que torna o caso mais curioso. A atuação do elenco é ótima e o roteiro é realmente muito bom [foi exibido no Festival de Cannes].


E vocês, o que assistiram, leram ou descobriram de interessante? Fico feliz em receber sugestões. 🙂

Ler livros é se permitir viver um tempo mais lento

livros vintage sebo

Quando eu era criança, meus dias eram feitos de silêncios e espaços vazios que eu preenchia com leitura. O tempo era lento, comprido, como as longas sombras de um final de tarde.

Com a chegada de todas as responsabilidades da vida que a gente vai construindo, mas sobretudo conforme fomos ficando mais conectados virtualmente, o tempo foi se tornando mais escasso e os espaços, excessivamente preenchidos.

São tantas informações, tantas possibilidades em um rolar de dedos de uma tela… E fora dela, claro.

Talvez sempre tenha sido assim, mas a conexão em rede trouxe um mundo inteiro para mais perto da gente. No entanto, nunca damos conta de acompanhar tudo e parece que estamos apenas boiando na superfície das ideias e dos acontecimentos.

Quando, porém, refletimos sobre o fato de que a vida conectada nos aproxima de uma vastidão de informações, mas nos afasta dos livros, sempre aparece alguém para nos lembrar que com a internet nós estamos, de qualquer forma, lendo mais. E é verdade. A questão é: qual é a qualidade da leitura que fazemos na rede?

Essa qualidade, é preciso deixar claro, não se resume apenas à densidade daquilo que se lê, ou a uma quantidade de páginas lidas num determinado período, mas envolve todo o processo de leitura de uma obra.

O hábito de ler livros impacta nossa vida de diversas formas: por um lado, porque acessamos uma brecha de tempo lento no meio de uma rotina corrida, um tempo que passa sem a gente se dar conta e que promove prazer e tranquilidade, ao invés de ansiedade. Um tempo que parece impossível, anacrônico em relação aos dias que vivemos.

Por outro lado, com um livro podemos entrar em um universo, qualquer que seja, com mais profundidade do que nos possibilita o rolar infinito das páginas da internet, onde pululam as novidades por milésimo de segundo. Nem todos os livros são profundos, é certo. Mas, em geral, conseguimos nos aprofundar mais em qualquer assunto quando fazemos uso deles.

Além disso, os livros têm um impacto nas nossas vidas porque nos fazem desconectar do mundo para nos reconectar com nosso próprio interior e com nossas próprias ideias, algo que a leitura frenética das redes, que também costuma envolver muita interação e contato (comentários, compartilhamentos…), não permite.

Vale dizer que esse ato de se desconectar através dos livros não significa necessariamente uma fuga da realidade, porque, se às vezes entramos em um distante mundo fantástico, noutras seguimos a complexa linha da história e dos movimentos humanos. Portanto, nem sempre lemos para fugir da existência, às vezes é justamente para melhor nos encontrarmos nela.

A sensação de tempo lento e de permanência me parece crucial em um mundo tão ansioso, tão exausto pelos dias corridos, tão fragmentado e carente de coisas duradouras. Nos deixar envolver pelos livros é encontrar a sensação de bem-estar, tranquilidade e contemplação dos dias que nos pertencem, e nos libertar do sentimento de que o mundo nos escapa por girar rápido demais.

livros vintage sebo

Ps.: acredito que mesmo na internet existem espaços que parecem rasgar a barreira do tempo tão acelerado das redes virtuais. Os blogs têm cumprido essa missão, pois são lugares em que ainda se escreve e se lê de maneira mais lenta, em que ainda se compartilham coisas que duram mais e que permanecem.

3 anos da Aimée: comemorando aniversário na quarentena

bolo red velvet

Minha Aimée, minha Amora, fez 3 anos dia 23/04! E nós, assim como a maior parte do mundo, estamos confinados em casa, graças ao coronavírus [corona vidas, como diz Aimée].

Aimée passou meses falando sobre a festa de aniversário dela. Seria a primeira que passaríamos junto da família, em Marabá, já que nos outros dois anos nós estávamos em João Pessoa.

Todos estavam animados por isso. Eu já tinha comprado algumas coisinhas de festa e já estava começando a fazer algumas decorações manuais quando veio a pandemia.

Mas, c’est la vie, a gente comemorou mesmo assim.

decoração artesanal para festa em casa

Peguei umas sobras de decoração do aniversário de 2 anos e fiz as letras do varalzinho com o nome dela usando canetas brush pen e uns papeis coloridos antiquíssimos que eu tinha guardados.

O que eu sempre digo é: não é porque é festa em casa, só pras pessoas da casa, que tem que ser de qualquer jeito.

E quem acha que criança não liga pra essas coisas, nunca viu olhinhos miúdos brilhando ao se depararem com decoração de festa, a mais simples que seja. Elas não querem o luxo, simplesmente amam esse ar festivo. Se sentem especiais e amadas e isso é muito importante pra elas. <3

foto com bolo
fotografia infantil delicada

Como não poderíamos nos reunir e todos estavam tristes com isso, o Evandro teve a ideia de fazer uma videoconferência com alguns familiares pra cantar parabéns pra Aimée.

Nem todo mundo conseguiu conectar na hora, mas ela ficou super feliz de ver algumas das pessoas mais queridas comemorando junto.

Ela olhava pra tela e dizia “oi vovós!”, “oi, tia Thábata!”, “eu quero convidar você, vovó!”, “esse bolo tá muito bom, hummmm”. E mostrava o bolo e todos os elementos ao redor.

festa em casa em quarentena
festa em casa
festa em casa em tempo de isolamento social

Nós queríamos abraços reais, mas por enquanto o mais importante é cuidarmos uns dos outros à distância. Uma hora tudo há de passar e nós ainda vamos comemorar muitos aniversários lindos da Memê com toda a família e amigos reunidos!

Vida longa à nossa Mêmis! <3

bolo red velvet

Drops de Março: êxtase do confinamento

jessica jones

Já dizia o ditado: antes tarde do que nunca. Meu Drops do mês de março tá saindo quase em meados de abril. Tudo culpa da pandemia causada pelo corona vírus.

Livro: Êxtase da transformação – Stefan Zweig

O livro do escritor austríaco Stefan Zweig [autor famoso, entre nós, pela obra Brasil, país do futuro], começa com uma linguagem que lembra um pouco os romances clássicos antigos, no estilo Jane Austen: muito rica em descrições do ambiente, do período histórico e da personalidade da protagonista, Christine. Ela é uma jovem assistente dos Correios, de família empobrecida devido à Primeira Guerra Mundial, vivendo uma vida de cuidados com a mãe doente e privações de toda sorte, das quais ela mal tem noção.

Tudo muda quando ela é convidada por uma tia rica a passar férias em um hotel de luxo na Suíça e aos 28 anos descobre todo o luxo e felicidade que o dinheiro pode comprar, capaz de comprar até mesmo uma juventude e beleza que ela não sabia que tinha. Christine passa por uma transformação extasiante.

Como uma queda monumental, entretanto, vem a segunda parte da história, muito diferente da primeira em estilo narrativo, quase como se fosse um anexo de última hora, e com sequências de cenas que lembram um filme: mais velozes, menos descritivas, mais cortantes [lendo a história do autor, fico sabendo que essa segunda parte foi escrita anos depois e justamente para ser um roteiro de cinema]. A obra, então, sai da linguagem de romance cômico e delicioso, cheio de frivolidade, e se torna densa, sombria, fazendo com que os corrosivos sentimentos das personagens nos corroam também.

É um livro muito gostoso de ler, e bastante surpreendente no final, que primeiro nos extasia com o luxo e a riqueza, e depois nos anestesia quando explora a desigualdade social, como legado da grande guerra, e o significado de liberdade para pessoas tão desprivilegiadas.


Filme: Brilho eterno de uma mente sem lembranças – Michel Gondry [direção]/Charles Kauffman [roteiro]

Brilho eterno de uma mente sem lembranças é um filme incomum. Engraçado e triste ao mesmo tempo. Suave e perturbador. Enquanto assistia, eu ficava pensando, que viagem! Um apagamento de memória seletiva, feito por médico em uma clínica, a pedido do paciente!

Porém, depois que acabou, o filme ecoou em mim durante dias. A sensação sempre voltando, as cenas se repetindo…

Pensei então sobre o que torna um filme clássico: 1) um roteiro incomum; 2) uma estética que chama a atenção [os cabelos coloridos de Clementine, o ar excêntrico e depressivo de Joel]; 3) uma questão ética e filosófica, que retorna à nossa mente sempre e que não encontra resolução fácil; 4) ser capaz de não se limitar a dizer um algo em si mesmo – um apagamento de memória deliberada, experiência de ficção científica – mas ir além, pelas questões psicológicas, éticas, da complexidade das relações humanas…

É um filme que vale a pena ver, ainda que seja um pouco cansativo de acompanhar, graças à sequência narrativa, que só faz sentido no final.

Séries: Jessica Jones [terceira temporada]


A primeira temporada de Jessica Jones é a mais icônica: mostra quem ela é e a que veio, apresenta um vilão clássico, poderoso e insuportável, lutando contra uma heroína de veia dramática, cômica, debochada e sobretudo muito real.

A segunda temporada foge disso e explora as questões mais obscuras das histórias pessoais, tanto da protagonista quanto dos outros personagens, como sua irmã celebridade Trish, a poderosa advogada Jeri e o vizinho e amigo Malcolm, dando mais profundidade a cada um. Isso torna a sequência bastante confusa, e ao mesmo tempo menos violenta que o esperado.

A terceira temporada retoma a característica Jessica Jones da primeira, mas muito mais furiosa. Eu esperava mais daquela veia cômica, mas a série só se adensou, se tornou mais dramática e o desenrolar dos acontecimentos fugiu totalmente de qualquer coisa que eu esperava. Gostei de toda a sequência, mas achei que o final foi excessivo.