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Dicas Literatura

Ler livros é se permitir viver um tempo mais lento

Quando eu era criança, meus dias eram feitos de silêncios e espaços vazios que eu preenchia com leitura. O tempo era lento, comprido, como as longas sombras de um final de tarde.

Com a chegada de todas as responsabilidades da vida que a gente vai construindo, mas sobretudo conforme fomos ficando mais conectados virtualmente, o tempo foi se tornando mais escasso e os espaços, excessivamente preenchidos.

São tantas informações, tantas possibilidades em um rolar de dedos de uma tela… E fora dela, claro.

Talvez sempre tenha sido assim, mas a conexão em rede trouxe um mundo inteiro para mais perto da gente. No entanto, nunca damos conta de acompanhar tudo e parece que estamos apenas boiando na superfície das ideias e dos acontecimentos.

Quando, porém, refletimos sobre o fato de que a vida conectada nos aproxima de uma vastidão de informações, mas nos afasta dos livros, sempre aparece alguém para nos lembrar que com a internet nós estamos, de qualquer forma, lendo mais. E é verdade. A questão é: qual é a qualidade da leitura que fazemos na rede?

Essa qualidade, é preciso deixar claro, não se resume apenas à densidade daquilo que se lê, ou a uma quantidade de páginas lidas num determinado período, mas envolve todo o processo de leitura de uma obra.

O hábito de ler livros impacta nossa vida de diversas formas: por um lado, porque acessamos uma brecha de tempo lento no meio de uma rotina corrida, um tempo que passa sem a gente se dar conta e que promove prazer e tranquilidade, ao invés de ansiedade. Um tempo que parece impossível, anacrônico em relação aos dias que vivemos.

Por outro lado, com um livro podemos entrar em um universo, qualquer que seja, com mais profundidade do que nos possibilita o rolar infinito das páginas da internet, onde pululam as novidades por milésimo de segundo. Nem todos os livros são profundos, é certo. Mas, em geral, conseguimos nos aprofundar mais em qualquer assunto quando fazemos uso deles.

Além disso, os livros têm um impacto nas nossas vidas porque nos fazem desconectar do mundo para nos reconectar com nosso próprio interior e com nossas próprias ideias, algo que a leitura frenética das redes, que também costuma envolver muita interação e contato (comentários, compartilhamentos…), não permite.

Vale dizer que esse ato de se desconectar através dos livros não significa necessariamente uma fuga da realidade, porque, se às vezes entramos em um distante mundo fantástico, noutras seguimos a complexa linha da história e dos movimentos humanos. Portanto, nem sempre lemos para fugir da existência, às vezes é justamente para melhor nos encontrarmos nela.

A sensação de tempo lento e de permanência me parece crucial em um mundo tão ansioso, tão exausto pelos dias corridos, tão fragmentado e carente de coisas duradouras. Nos deixar envolver pelos livros é encontrar a sensação de bem-estar, tranquilidade e contemplação dos dias que nos pertencem, e nos libertar do sentimento de que o mundo nos escapa por girar rápido demais.

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Ps.: acredito que mesmo na internet existem espaços que parecem rasgar a barreira do tempo tão acelerado das redes virtuais. Os blogs têm cumprido essa missão, pois são lugares em que ainda se escreve e se lê de maneira mais lenta, em que ainda se compartilham coisas que duram mais e que permanecem.

Alexandra

Oi. Meu nome é Alexandra Duarte e eu escrevo aqui.

Sou formada em Ciências Sociais e pós-graduanda em Educação, áreas do conhecimento que eu adoro estudar e discutir. Além disso, fazem parte da minha vida profissional a fotografia e o cinema.

A arte me inspira, mas andar pelo mundo enche minha vida de sentido. Tenho predileção por tudo que envolve culturas e gosto de estar em contato com pessoas e ideias. Estudar, escrever, viajar, fotografar e fazer filmes são maneiras de experimentar isso. Com a maternidade, meu campo de visão se alargou, e criando a Aimée infinitos temas de estudo e áreas de interesse surgiram. Aqui no blog eu escrevo um bocado sobre tudo isso.

4 comentários

  1. Evandro diz:

    <3

    1. Alexandra diz:

      <3

  2. Nossa gostei desse pensamento de ler um livro pra ter um tempo só nosso. É como uma meditação! Fiquei até animada pra ler livros de ficção, pois sempre achei meio perda de tempo, por não me acrescentarem nada muito prático sabe? rs

    E também super concordo com você sobre os blogs. Acho que o slow blogging é tão inspirador. Pena que a maioria só quer consumir conteúdos já mastigados…

    1. Alexandra diz:

      Hahahaha. Eu amo ficção, às vezes tenho que lembrar de ler outros livros de não ficção, que eu também adoro, mas geralmente vou lendo vários pela metade e deixo pra terminar depois – e demoro anos pra terminar. Realmente, a maioria só quer conteúdo mastigado e que cumpre alguma promessa e as coisas mais delicadas da vida vão ficando pra trás.

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